​O grupo dos 8
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15 de Junho de 2014
Criado por Sandra Veroneze
Em agosto de 1947, em Porto Alegre, eclodiu forte uma proposta de esperança de liberdade e o amor à terra tinha vez e lugar. Jovens estudantes, de todas as classes sociais, liderados por Paixão Côrtes, criam um Departamento de Tradições Gaúchas.
No fim da II Guerra Mundial os Estados Unidos e seu ‘way of life’ era uma importante referência cultural e de moda para o mundo todo. Com rapidez, a juventude voltava as costas para as suas raízes culturais, e no Rio Grande do Sul não era diferente. Neste período, o Brasil estava saindo da ditadura de Getúlio Vargas, que havia amordaçado a imprensa e prejudicava o desenvolvimento e prática das culturas regionais.

Com isso, perdia-se o sentimento de culto às tradições e nossas raízes estavam paulatinamente sendo relegadas ao esquecimento. Bandeiras e Hinos dos estados foram simbolicamente queimados em cerimônia no Rio de Janeiro e, diante de tudo isso os gaúchos estavam acomodados àquela situação, apáticos, sem iniciativa. Por outro lado, os intelectuais demonstravam sua insatisfação com aquele estado de coisas e tinham a consciência que as pressões do modismo americano sufocava a cultura local, o Rio Grande, de resto, o mundo todo.
     Em agosto de 1947, em Porto Alegre, eclodiu forte uma proposta de esperança de liberdade e o amor à terra tinha vez e lugar. Jovens estudantes, oriundos do meio rural, de todas as classes sociais, liderados por Paixão Côrtes, criam um Departamento de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos, com a finalidade de preservar as tradições gaúchas, mas também de desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura rio-grandense, interligando-se e valorizando no contexto da cultura brasileira. Dentro deste espírito é que surge a criação da Ronda Crioula, estendendo-se do dia 7 ao dia 20 de setembro, as datas mais significativas para os gaúchos.

     Entusiasmados com a ideia, procuraram a Liga de Defesa Nacional e contataram o Major Darcy Vignolli, responsável pela organização das festividades da “Semana da Pátria”. Então expressaram o desejo do grupo de se associarem aos festejos, propondo a possibilidade da retirada de uma centelha do “Fogo Simbólico da Pátria” para transformá-la em “Chama Crioula”, como um símbolo da união indissolúvel do Rio Grande à Pátria Mãe, e do desejo de que a mesma aquece o coração de todos os gaúchos e brasileiros durante até o dia 20 de setembro, data magna especial. Nessa oportunidade, Paixão recebeu o convite para montar uma guarda de gaúchos pilchados em honra ao herói farrapo David Canabarro, que seria transladado de Sant’Ana do Livramento para Porto Alegre.

     Paixão Côrtes, para atender o honroso convite, reuniu um piquete de oito gaúchos pilchados e, no dia 5 de setembro de 1947, prestaram a homenagem a Canabarro. Esse piquete é hoje conhecido como o Grupo dos Oito, ou Piquete da Tradição. Primeira semente que seria seguida no ano seguinte, na criação do “35” CTG. Eram eles Antonio João de Sá Siqueira, Fernando Machado Vieira, João Machado Vieira, Cilço Campos, Ciro Dias da Costa, Orlando Jorge Degrazzia, Cyro Dutra Ferreira e João Carlos Paixão Côrtes, seu líder. Durante o cortejo, o “Grupo dos Oito”, os jovens estudantes, conduziam as bandeiras do Brasil, do Rio Grande e do Colégio Júlio de Castilhos.

     O acendimento da chama crioula é hoje um dos mais importantes eventos do calendário tradicionalista gaúcho.
 
     Fonte: MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho