​Para cantar em versos o Rio Grande, em Esteio
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Desde o ano passado o município de Esteio está no mapa dos grandes festivais relacionados à cultura gaúcha. O Esteio da Poesia recebeu inscrições até do Uruguai, mas não pode aceitar porque o regulamento não permitia...
Desde o ano passado o município de Esteio, no Rio Grande do Sul, está no mapa dos grandes festivais relacionados à cultura gaúcha. O Esteio da Poesia, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura a partir do esforço de dois amantes do tradicionalismo, tem mobilizado poetas e declamadores não só do Rio Grande do Sul, como também de Santa Catarina e Paraná.

Djalma Corrêa Pacheco, um dos idealizadores, conta que tinha um grande desejo, o de fazer algo diferente, relacionado à cultura gaúcha, em Esteio, cidade onde vive e trabalhe. Pensava em algo que fosse esteticamente bonito, bem organizado e que valorizasse a arte regional. “Conversei com o Paulo Roberto Vargas, que conheço há mais de duas décadas, declamador, avaliador do Enart – Encontro de Artes e Tradição, realizado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, e que participa de festivais de poesia, e então começamos a amadurecer a ideia com uma proposta bastante definida”, afirma.
     O sonho encontrou eco na Secretaria Municipal de Comunicação Social, que mobilizou a Secretaria Municipal de Arte e Cultura e o Executivo como um todo. “Em setembro daquele ano, lançamos o festival na Semana Farroupilha, abrindo prazo para inscrições e, como diz o pessoal do meio da poesia, o Esteio já nasceu grande, uma vez que na primeira edição já recebeu 343 poemas”. A inserção do evento no Calendário Oficial do Município foi uma consequência natural.

     O festival se junta a outros eventos semelhantes e tem como objetivo fomentar a produção de poesias gaúchas, incentivando os poetas para que se inspirem e apresentem novas poesias aos inúmeros declamadores que estão sempre atrás de temas para interpretarem em rodeios e em festivais, principalmente no Enart. O Esteio da Poesia também é um espaço para novos talentos da poesia e da música regional. “Só para dar um exemplo, o jovem Gustavo Oliveira, de Esteio, fez show de abertura, como cantor, em 2015, e este ano fez a sua estreia defendendo poesia em festivais deste tipo”, afirma Djalma.

     Para Esteio, o festival é uma oportunidade de apresentar novos nomes e um belo tipo de arte, muitas vezes desconhecida, para os moradores da cidade. É um evento cultural importante, bonito, que tenta ser o mais profissional possível, avaliam os organizadores. “E de graça”, destaca o idealizador. Além disso, o evento leva o nome da cidade para todo o Rio Grande do Sul e para outros estados, como Santa Catarina e Paraná. “No meio da poesia regional gaúcha, Esteio já é considerado como um importante parceiro no fomento desta importante manifestação artística. Penso que tudo isso é positivo e deixa uma imagem de Esteio como Município que valoriza a mais importante das culturas para o nosso povo, ou seja, a nossa própria”, afirma.
 
Indicadores de sucesso

     Os organizadores garantem que a prioridade sempre foi a qualidade dos trabalhos apresentados ao público e, embora seja um quesito bastante subjetivo, têm certeza de que os trabalhos gravados nos dois CDs e defendidos no palco nas duas edições tiveram essa qualidade. Segundo Djalma, alguns dos melhores poetas, declamadores e amadrinhadores da poesia regional gaúcha participaram das duas edições do festival, o que sempre foi almejado pela organização. “Nos dois anos, as comissões avaliadoras foram formadas por nomes reconhecidos deste meio e as apresentadoras das duas edições do festival também balizam essa opinião de qualidade, isso sem falarmos nos shows de abertura e de encerramento das duas edições”, analisa.

     O idealizador atenta, porém, para o fato de que se tinha como objetivo fazer um festival com grandes números. “Entendemos que é muito importante para um evento que pretenda crescer, como é o caso do Esteio da Poesia, que é bancado pelo poder público, mas que busca por patrocinadores nas próximas edições, apresentar indicadores quantitativos também”. Segundo ele, para começar, foram inscritas 343 poesias, de cem poetas, representando 50 cidades dos três estados do Sul na primeira edição. Na segunda, com mais divulgação, foram 425 poesias, de 124 poetas, que representaram 61 cidades dos mesmos estados (até mesmo poemas do Uruguai, mas como o regulamento não permitia, as inscrições não foram aceitas). “Isso mostra um crescimento muito grande entre os concorrentes. Se pensarmos em público, o festival atingiu o objetivo ao lotar a Casa de Cultura Lufredina Araújo Gaya nas duas edições, fora as pessoas que assistiram ao evento deste ano pela TV Tradição ou que ouviram pelas webrádios Clarim Farrapo, Tradição e Voz da Querência e pelo programa Do Litoral à Fronteira, da Rádio Band”, avalia.

     Uma das diferenças da primeira para a segunda edição foi a adesão e cobertura da imprensa. Na primeira edição, houve parceiras com as rádios Band e Tradição FM. Já em 2015, a TV Tradição transmitiu o festival, ao vivo, para todo mundo, gravou o evento, produziu DVDs, e colocou telões na Casa de Cultura para melhor acompanhamento do público. A parceria com a Rádio Band foi renovada, com gravação do festival para transmissão no programa do Litoral à Fronteira. Também estiveram presentes as radiosweb Clarim Farrapo, Tradição e Voz da Querência, que transmitiram ao vivo o evento.

     Com relação às dificuldades em realizar um evento como o Esteio da Poesia, Djalma destaca a burocracia, por se tratar de um evento financiado pela Administração Municipal, o que torna, portanto, as contratações e pagamentos um tanto burocráticos. “A Prefeitura tem diferentes procedimentos, todos eles necessários para se manter o controle e evitar fraudes, que, de certa forma, tornam o andamento mais demorado. Se houvessem patrocinadores, seria mais fácil e rápido tudo”, afirma. Nesse sentido, o idealizador complementa: existe uma grande dificuldade de se conseguir patrocinadores para um evento assim. “Batemos na porta de algumas empresas aqui de Esteio, apresentamos os dados da primeira edição, falamos do êxito do evento e no número de envolvidos com o festival, durante o ano todo, mas não conseguimos apoiadores, além da Hospedaria Provençal. Creio que, assim como para muitos eventos, a falta de patrocinadores é a maior dificuldade”.

     O evento, porém, já está com as engrenagens em andamento para a edição de 2017. Um dos objetivos é aumentar o nível de profissionalização na organização. Em ano eleitoral, uma atividade a mais: como o festival é bancado pelo Município, será necessário mobilizar todos os candidatos a prefeito e fazer com que eles se engajem ao projeto, para que se consiga realizá-lo muito bem, com vistas ao crescimento. Uma das ideias é alimentar o perfil do Facebook o ano inteiro. O espaço, além de divulgar institucionalmente o Festival, é também engajado na valorização dos poetas participantes. “Desde a primeira edição, optamos por não fazer aquela homenagem a um poeta específico, como alguns festivais fazem de maneira válida, emocionante e bonita, mas sim destacar todos que mandaram versos para nosso evento e, assim, são divulgados no perfil do Facebook (www.facebook.com/esteiodapoesia) todos os poetas que encaminharam trabalhos”. Djalma também destaca que, nos livretos, é publicado o nome de todos os poetas participantes. “São coisas simples, mas que procuram demonstrar a atenção, carinho, respeito e gratidão que temos com os poetas”, conclui.
 
Veja mais:
Festival na íntegra, transmitido pela TV Tradição:
TVTtradicao.com.br - Esteio-da-poesia-gaucha
 - Livreto com as letras das poesias;
- Áudio das poesias;
- Livreto do 1º Esteio da Poesia (2015);

- Áudio das poesias do 1º Esteio da Poesia (2015);