Para reunir gente querida? Churrasco!
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"Qual é a boa pro findi? Um churras, claro! E quem nós vamos convidar?" Preparar um delicioso churrasco, aos finais de semana, traz implícita a ideia de encontro social e de celebração da amizade
Comensalidade deriva do latim "mensa", que significa conviver à mesa e isto envolve não somente o padrão alimentar ou o que se come, mas, principalmente, como se come. Assim, a comensalidade deixou de ser considerada uma consequência de fenômenos biológicos ou ecológicos para tornar-se um dos fatores estruturantes da organização social. A alimentação revela a estrutura da vida cotidiana, do seu núcleo mais íntimo e mais compartilhado. A sociabilidade manifesta-se sempre na comida compartida.
     Quem ensina é a professora Maristel Pozzada, de Santa Vitória do Palmar, zona sul do estado, praticamente na divisa com o Uruguai. Ela se classifica como ‘metida’ a churrasqueira e tem lembrança de apreciar churrasco desde a infância. “O meu pai é um autêntico churrasqueiro e em casa sempre se valorizou o ritual do churrasco: buscar lenha no mato, elaborar o fogo e sentir o cheiro de folhas de eucaliptos queimando. Depois temperar a carne com sal grosso, apenas, ou acrescentar pimenta vermelha e cominho”. Para Maristel, tão importante quanto alimentar-se é o contexto social do churrasco. Segundo ela, o hábito de reunir a família e contar causos vem passando de geração em geração. Sua preferência? Uma costela, seja no no fogo de chão, na campanha, seja na churrasqueira em casa, na zona urbana.

     Para o jornalista Tom Belmonte, de Porto Alegre, churrasco significa reunir as pessoas de quem gosta, que de alguma forma conquistaram espaço de carinho, afeto e amor na sua vida. “Cada vez que penso em fazer um churrasco, o que ocorre normalmente uma vez por mês, tenho por interesse único não apenas o sabor, a degustação, o cheiro e o prazer trazidos pela degustação da carne, seja ela em estágios como bem, no ponto, ou mal passada. Me encanta é a troca com os meus, de ver neles que o significado para abraços, risos e trocas se potencializa e eleva na celebração do churrasco, uma janela para o que denomino de ndispensáveis calorias humanas".

     A consultora em coaching Lorena Fontoura, de Porto Alegre, chega a salivar quando fala de churrasco. Par ela, esse prato típico dos gaúchos tem sabor especial, de alegria, de infância. “Lembro de meu falecido tio preparando a carne para assar, com ervas e salmora. Das ervas eu lembro; a salmora minha mãe contou depois”. Churrasco, para ela, lembra a família reunida na casa da praia, dos tios, avós, primos e pais. Sua preferência é por costela e picanha, mas do que mais gosto no churrasco é sua magia, o ritual... “Quando fazemos em nossas casas ou na casa de amigos, é sua preparação, a energia que aflora destes momentos de confraternização, sim, pois churrasco é confraternização, é harmonia, é discutir futebol, grenal, é fazer a famosa salada de maionese, o pão com alho, o salsichão com farinha de mandioca”, afirma. E quando vem aquele cheirinho de churrasco da casa do vizinho? Ela garante: tem sabor de “vem para cá”, e realmente dá uma vontade louca de chegar, pois já se sabe que ali está ocorrendo uma festa, uma confraternização, um momento de união, amor e alegria entre pessoas que se gostam!

     Para a gestora Taís Tones, de Esteio, na região metropolitana, churrasco aos finais de semana é uma tradição de família. Normalmente se reúnem cerca de 10 pessoas, para um papo descontraído e integração, e se for época de férias, na praia, então é churrasco praticamente todas as dias. “Adoro churrasco, principalmente picanha e vazio”. Um atrativo à parte, segundo ela, são os aperitivos. Em toda mão-de-obra, lhe cabe preparar as saladas e lavar a louça. Nathaly, a filha vegetariana, não se importa e participa, tendo à disposição um cardápio com saladas, queijos, pão com alho.
Para o assessor de Planejamento da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos do Rio Grande do Sul, Jorge Fonseca, o churrasco é sem cerimonial. Morador de Balneário Pinhal, no litoral norte, ele gosta de um ambiente onde todos sentam, mesa posta, sem arroz, aipim, queijos, e grandes invenções. “Churrasco é momento de reunir família ou quem a gente gosta e divide o tempo e o prazer da parceria e presença.” Fonseca gosto de churrasco lascadinho, pedacinho, consumido de pé. Todos os convidados também? “Não, não. Podem sentar, se quiserem”, brinca. O churrasco é sua preferência aos finais de semana, com aqueles dias de sol e temperatura amena, principalmente costela bem assada, que fica na frente da carne pura. “Quando o churrasco está pronto para servir eu já costumo estar satisfeito.”

     O engenheiro eletrônico Emerson Pedrotti diz que gosta de churrasco desde que se conhece por gente. “Me lembro que quando criança ajudava meu pai com todo ritual do churrasco, desde acender o fogo, espetar a carne, assar, comer e lavar os espetos. Sempre admirei muito meu pai por isso: todo ritual do churrasco. E pretendo passar esse ritual a meus filhos”. Emerson costuma comer churrasco pelo menos uma vez por semana, em churrascaria, em casa ou com os amigos. “O importante é estar bem acompanhado, seja na churrascaria com os colegas de trabalho, com os amigos depois do futebol ou em casa com a esposa, o churrasco está entre umas das melhores coisas da vida e merece ser bem aproveitado!”. Mas ele confessa uma preferência por churrasco em casa. “O churrasco em casa é muito melhor. Não precisa de prato e talher,  a carne é cortada na tábua e vai pra gamela, para que cada um aprecie o pedaço que mais gosta”.